Há empresas e pessoas que se iludem ao achar que é possível realizar mudanças de comportamento em seus subordinados sem, primeiro, dar o exemplo. O velho ditado “faça o que eu mando e não faça o que eu faço” na verdade nunca teve sentido algum.

A liderança eficaz tem como base o ditado latino “as palavras movem; os exemplos arrastam”, ou seja, pouco adianta falar o tempo todo sobre alguma coisa. Dê primeiro o exemplo e tudo começará a acontecer.

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Muitos chefes, supervisores, encarregados, gerentes e diretores que fazem belos discursos pela ética, pela excelência no atendimento ao cliente, pela obsessão por qualidade, mas que dão exemplos absolutamente contrários aos seus discursos.

Essa incoerência entre o discurso e a prática é o maior problema das empresas e das pessoas. O descrédito delas vem justamente daí. Elas dizem uma coisa na publicidade ou mesmo nos seus pronunciamentos públicos e na prática as coisas ocorrem de maneira quase oposta.

A palavra convence mas o exemploA palavra convence mas o exemplo

O velho ditado “faça o que eu mando e não faça o que eu faço” na verdade nunca teve sentido algum. A liderança eficaz tem como base o ditado latino “as palavras convence; os exemplos arrastam”, ou seja, pouco adianta falar o tempo todo sobre alguma coisa. Dê primeiro o exemplo e tudo começará a acontecer.

Conta-se a história de uma mãe que, cansada de o filho comer muito doce, foi ver Mahatma Gandhi e pediu-lhe que dissesse ao menino que não comesse açúcar. Gandhi, após uma pausa, pediu à mãe que voltasse com a criança depois de duas semanas.

Duas semanas depois, a mulher voltou com o filho para visitar Gandhi. Ao vê-los, Gandhi olhou profundamente nos olhos do menino e disse: “Não coma açúcar”. A mãe, agradecida, mas perplexa, perguntou a Gandhi por que ele a fizera esperar duas semanas para lhe contar exatamente isso. Gandhi respondeu: “Duas semanas atrás, eu também estava comendo açúcar. “

Se a anedota é verdadeira ou não, serve de reflexão para nos perguntarmos sobre o poder das palavras e como elas podem influenciar, embora devam ser sustentadas por um comportamento de acordo com a mensagem, se quisermos ser honestos e coerentes com nós mesmos e os outros.

As palavras e expressões que usamos refletem processos mentais que afetam a maneira como pensamos e nos comportamos. A linguagem que as palavras configuram e a forma como as utilizamos tem um alcance muito grande, uma qualidade energética que vem configurar os limites da nossa vida, compreender a realidade e configurar nossas crenças, nosso modo de pensar e compreender a realidade que nos cerca.

Também é verdade, como diz o provérbio que “as palavras são levadas pelo vento”, duram alguns momentos na nossa cabeça e depois desaparecem, a não ser que haja um reforço, algo que nos permita ancorar o pensamento que disse as palavras geraram em nossa mente.

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De fato, as palavras se dissipam no tempo e seu efeito é diluído, a menos que sejam reforçadas, evocadas, lembradas ou ouvidas novamente.

Quem não ouviu e repetiu, mesmo ad nauseam, aquela exclamação quase desesperada de Quantas vezes tenho que te dizer…! E quais têm sido os resultados? Poderíamos dizer, talvez, que apesar do poder das palavras, elas se tornam inertes se não encontrarem aquele reforço que as faz durar e ser mais consistentes.

E o que dá consistência às palavras? Sem dúvida, o próprio exemplo do que se afirma. Se apoiarmos as mensagens, histórias ou conselhos com a evidência e com o próprio comportamento, a mensagem é reforçada, tornamos mais credível e convincente.

A coerência entre o que se diz e o que se faz, entre a palavra e sua expressão no ato, faz da ação a materialização da mensagem e o reforço convincente.

Portanto, se queremos ser respeitados, as ações de nossas vidas devem estar alinhadas e consistentes com as mensagens que transmitimos. Caso contrário, se de fora perceberem que nosso comportamento é diametralmente oposto ao que transmitimos, quem acreditará em nós e em nossa mensagem?

Por tudo isso, dar o exemplo é o melhor mecanismo para convencer, transformar e gerar confiança em nosso relacionamento com os outros. No pólo oposto, a prática de comportamentos contrários às nossas palavras mina a credibilidade e a fé que as pessoas possam ter depositado em nós.

E nós realmente praticamos pelo exemplo? Queremos que certos comportamentos em nosso ambiente (familiar, social, profissional) adotem as mudanças que desejamos se não formos os primeiros exemplos em que essas pessoas podem se ver refletidas?

Podemos chegar a um consenso geral afirmando que as palavras influenciam, convencem e estimulam a mudança de atitudes e comportamentos (por exemplo, em questões de segurança, educação, saúde e comportamento do cidadão). No entanto, o fato de reforçar as palavras com fatos confiáveis, evidências e exemplos, consolida e arrasta as pessoas a adotarem essas mudanças.

O poder de “arrastar” com o nosso exemplo adquire extrema relevância em áreas da nossa vida tão decisivas como a saúde, a segurança no trabalho ou a educação dos nossos filhos.

Vamos pensar que a credibilidade é como a confiança, se constrói dia a dia e pode ser destruída em um instante. Por isso, é tão necessário cuidar dele e fortalecê-lo.

Que o exemplo se espalhe, que os atos prevaleçam e sirvam de luz para os outros. Nessa linha, e para finalizar, gostaria de relembrar uma frase atribuída a Edith Wharton, escritora e designer americana do início do século XX, que afirmava: Há duas maneiras de espalhar luz: seja a lâmpada que a emite ou seja o espelho que a reflete”. Em nenhum caso, façamos parte do mau exemplo que contraria e desacredita nossos comentários e opiniões.

E, como dizem, “uma imagem vale mais que mil palavras”. Nossa maneira de agir tem muito mais influência sobre nossos filhos do que os conselhos que podemos verbalizar.