Epilepsia infantil: causas e diagnóstico

A epilepsia infantil é uma doença com grande impacto na qualidade de vida, não apenas o paciente. Toda a família está envolvida e é responsável por tomar os medicamentos, atenção e hábitos que podem ser prejudiciais.

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A epilepsia é uma alteração da transmissão neuronal na qual agrupamentos de células nervosas causam uma série de descargas elétricas. Dependendo do local onde ocorre a atividade elétrica, haverá diferentes tipos de epilepsia. Vamos ver quais podem ser as causas e como é diagnosticado.

De acordo com números coletados pela Fundação de Neurologia Infantil, cerca de 40% de todas as crianças com diagnóstico de epilepsia, não há convulsões. Esses dados são importantes para um diagnóstico diferencial.

A criança pode ter convulsões sem ser epiléptica. Na presença desse sintoma, é necessário rastrear a causa por meio de exames complementares de diagnóstico. Esse sintoma, na verdade, pode ser causado por outra doença neurológica ou vascular.

20% das crianças epilépticas têm deficiência cognitiva. Isso afeta a vida escolar, causando um atraso na educação e na alfabetização.

No entanto, nem todos os tipos de epilepsia são iguais. De acordo com a classificação internacional, alguns começam na parte anterior do cérebro, outros são laterais.

Pode se apresentar com ou sem convulsões, com sintomas adicionais, perda de consciência ou menos. Nas epilepsias convulsivas, as convulsões podem ser difusas ou concentradas, por exemplo, em um membro.

Mãe acariciando sua filha doente.
Muitas crianças com epilepsia têm déficits cognitivos, resultando em atrasos na escolaridade e no treinamento.

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Mais do que estabelecer a causa exata da epilepsia infantil, é importante entender quais são os fatores de risco e predisponentes. O mecanismo intrínseco de ativação neuronal ainda não é totalmente compreendido, mas sabemos que existem contextos que facilitam isso.

Os primeiros anos de vida estão em maior risco. Além disso, até os 4 anos de idade, convulsões febris podem ser confundidas com episódios epilépticos. A intuição de neurologistas e pediatras é fundamental nesse sentido.

Genética e história familiar também são importantes. Quando os pais ou avós são epilépticos, a criança tem maior probabilidade de desenvolver a doença. Alguns genes foram classificados como gatilhos, mas devem sempre ser estimulados por fatores externos para se expressarem. Isso significa que o patrimônio genético nem sempre resultará na manifestação da doença.

As infecções do cérebro e das meninges são outra causa da epilepsia infantil. Freqüentemente, este último não ocorre em conjunto com o quadro agudo, mas é a sequela de uma encefalite, às vezes depois de meses ou mesmo anos.

Da mesma forma, um ferimento na cabeça pode ter sequelas do tipo epiléptico. Isso pode ocorrer, por exemplo, em decorrência da prática esportiva, principalmente em esportes de contato como o futebol. Uma criança que bate cabeça pode se recuperar rapidamente e ficar totalmente consciente, mas será diagnosticada com epilepsia posteriormente.

Finalmente, doenças vasculares são outro gatilho. Referimo-nos a problemas de circulação no cérebro, como malformações arteriovenosas ou acidentes cerebrovasculares.

Esses distúrbios não são comuns em crianças, mas devem ser considerados na presença de sintomas indicativos, como convulsões ou redução da mobilidade dos membros.

Gestação

Uma menção especial merece o estado pré-natal. Durante a gravidez, as toxinas podem passar da mãe para o feto, afetando o desenvolvimento neural. As toxinas contidas nos cigarros e álcool são capazes de atravessar a placenta, fazendo com que o bebê tenha síndromes que alteram a transmissão elétrica.

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A suspeita de epilepsia infantil começa pelos sintomas. Geralmente, o primeiro sintoma indicativo é uma convulsão não associada a febre. A partir desse episódio inicia-se uma série de exames complementares, conduzidos pelo pediatra e pelo neurologista. Aqui estão os principais:

Eletroencefalograma

O ECG mede a atividade elétrica do cérebro. São aplicados eletrodos que, de fora, registram a transmissão neuronal em uma linha. O registro permite que o especialista descubra se ocorrem descargas anormais. Não é necessário executá-lo durante um ataque.

Eletroencefalograma para diagnosticar epilepsia infantil.
O ECG é um exame complementar para o diagnóstico da epilepsia infantil.

TAC

A tomografia axial computadorizada, ou tomografia computadorizada, do cérebro é capaz de detectar anormalidades nas estruturas do crânio que podem causar convulsões. Isso inclui tumor, aumento da pressão do líquido cefalorraquidiano ou malformação arteriovenosa.

Ressonância magnética

Assim como a tomografia computadorizada, a ressonância magnética também é útil para observar os tecidos moles do crânio.

ANIMAL

A tomografia por emissão de pósitrons, ou PET, surgiu recentemente como um método diagnóstico complementar para várias patologias, incluindo epilepsia infantil.

Ao injetar no paciente uma substância metabólica, que é absorvida pelas células em estudo, é possível perceber sua atividade na forma de cores em uma tomografia ou ressonância. Tumores altamente ativos ou áreas neuronais podem ser detectadosou marcar focos epilépticos.

A epilepsia infantil não é uma doença que pode ser ignorada. Quanto mais precocemente o tratamento e as medidas preventivas forem estabelecidas, melhor será a qualidade de vida da criança e de seus familiares. Reconhecer isso nem sempre é fácil, mas em caso de convulsão é necessária uma avaliação médica imediata.

Os tratamentos são diferentes e mudaram nos últimos anos. Hoje temos ferramentas de diagnóstico mais precisas e altamente sensíveis disponíveis, bem como protocolos de monitoramento e reabilitação mais acessíveis.