A cirurgia para aumento da mama continua sendo um dos carros-chefe das plásticas no Brasil, com mais de 200.000 procedimentos por ano, em média, mas a procura tem sofrido uma queda ultimamente.

Neste cenário, outra tendência vem surgindo: a remoção de implantes de mama aumentou em 33% no Brasil, segundo dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, e passou de 14.600, em 2018, para 19.400, em 2019.

A médica Fernanda Maria Marinho, mastologista da Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, traz informações fundamentais sobre o tema e esclarece dúvidas comuns sobre a questão dos explantes de próteses de silicone.

Ela afirma que, há alguns anos, algumas mulheres desejavam retirar os implantes de forma esporádica. Porém, desde 2018, este número cresceu de forma exponencial no Brasil.

Silicone antes e depois 400ml

Silicone antes e depois 400ml
Silicone antes e depois 400ml

Os Silicones são compostos quimicamente inertes, inodoros, insípidos e incolores, resistentes à decomposição pelo calor, água ou agentes oxidantes, além de serem bons isolantes elétricos.

Podem ser sintetizados em grande variedade de formas com inúmeras aplicações práticas, por exemplo, como agentes de polimento, vedação e proteção.

São também impermeabilizantes, lubrificantes e na medicina são empregados como material básico de próteses. Atualmente estima-se que os silicones são utilizados em mais de 5.000 produtos.

O termo silicone é o termo inglês para a classe de compostos químicos cujo nome correto em português é silicona, em função da sua semelhança da sua fórmula geral com as cetonas.

Muitas mulheres decidem por razões estéticas, pois não desejam mais aquele volume mamário. Elas buscam maior naturalidade para o corpo e estão menos apegadas a padrões estéticos anteriores.

Isso se intensificou após algumas personalidades internacionais trazerem o assunto à tona nas mídias sociais, declara a mastologista.

Razões que vão além da estética

A mastologista explica que existem outras questões motivadoras para a retirada das próteses, como a popularização da “Doença do Silicone” e da Síndrome Asia. Estas duas condições costumam ser confundidas, mas são doenças diferentes.

A chamada “Doença de Silicone” é um termo adotado para descrever um conjunto de sintomas que podem surgir em mulheres com próteses mamárias, como dor nas articulações, queda de cabelo, alterações psicológicas e cansaço excessivo.

Já a Síndrome Asia é uma alteração autoimune que pode ser desencadeada por elementos ou substâncias externas ao organismo, e que podem resultar em um processo inflamatório crônico em pessoas que já possuem predisposição para doenças autoimunes.

Podem favorecer este quadro o silicone, hidróxido de alumínio, mercúrio, óleo mineral e titânio.

“Os dados mostram que muitas pessoas passaram a associar a existência do implante a sintomas diversos, como dores articulares e queda de cabelos. Além disso, a retirada proporcionou melhora de alguns eventos para muitas delas.

A indicação para o explante também pode ocorrer em casos de infecção ou enrijecimento da cápsula do implante, chamado de contratura capsular, que pode causar dor ou deformidade da mama operada”, afirma Marinho.

O procedimento cirúrgico é realizado sob anestesia geral e demanda habilidade do cirurgião para retirar o implante.

Muitas vezes, é necessária a remodelação do tecido mamário remanescente. A recuperação vai depender de muitos fatores, como a extensão da cirurgia e a qualidade da saúde prévia da pessoa.

“Nem todas as indicações de explante são por desejo da paciente.

Existem condições como reações inflamatórias ao ‘corpo estranho’: um tipo muito raro de linfoma (ALCL) e a também rara Síndrome Asia que são outras indicações para a retirada definitiva da prótese de mama.

Precisamos atentar para o fato que os implantes mamários são os dispositivos médicos mais utilizados estudados no mundo”, diz a médica.

Implantes de Silicone

São utilizados na cirurgia plástica [1] para melhorar a estética dos seios e outras partes do corpo humano.

Podem dar mais volume e consistência às mamas, ou atuar em reconstruções mamárias (cirurgias reconstrutivas). Popularmente, os implantes são mais conhecidos como próteses de silicone.

Formato

Implantes de silicone ou próteses de silicone podem ser redondos, ou anatômicos (também chamados de gota). Os implantes em gota fornecem uma projeção menor no pólo superior das mamas, o que pode ser eventualmente desejado.

Perfil

Os fabricantes utilizam nomenclaturas diferentes para a projeção. Normalmente existem 3 opções, do menos projetado ao mais projetado.

Eles podem ser: Perfil baixo; Perfil moderado; (apenas alguns fabricantes produzem) Perfil alto; Perfil super alto.

(tendência no mercado brasileiro, também é chamado de extra alto, muito alto, ultra alto). Os tipos de prótese de silicone determinam o tamanho dos seios, a sua projeção e, até mesmo o formato do colo.

Superfície

Os primeiros implantes eram lisos, porém apresentavam altíssima taxa de contratura (rejeição).

Posteriormente, o advento dos implantes texturizados diminuiu a inciência de contratura pois a rugosidade da superfície desorganiza as fibras da cápsula que se forma ao redor dos implantes, enfraquecendo-a.

Existem também implantes com revestimento de poliuretano (2 fabricantes no mundo, Brasil e Alemanha), os quais também mostram uma maior diminuição nos casos de contratura capsular.

Conteúdo

Atualmente, os implantes contêm silicone gel de alta coesividade, que não se espalha pelo organismo quando o implante se rompe.

Localização

Os implantes de silicone podem ser colocado nas mamas (na frente ou atrás do músculo peitoral maior), glúteos, panturrilhas, tórax masculino e queixo (silicone sólido, neste caso).